É uma doença que atinge os ossos. Caracteriza-se quando a quantidade de massa óssea diminui substancialmente e desenvolve ossos ocos, finos e de extrema sensibilidade, mais sujeitos a fraturas. As mulheres são as mais atingidas pela doença, uma vez que, na menopausa, os níveis de estrógeno caem bruscamente. Com isso, os ossos passam a incorporar menos cálcio (fundamental na formação do tecido ósseo), tornando-se mais frágeis. Para cada quatro mulheres, somente um homem desenvolve esta patologia. A densidade mineral de cálcio é reduzida de 65% para 35% quando a osteoporose se instala. O canal medular central do osso torna-se mais largo.
Com a progressão da osteoporose, os ossos podem ficar esburacados e quebradiços. O colágeno e os depósitos minerais são desfeitos muito rapidamente e a formação do osso torna -se mais lenta. Com menos colágeno, surge espaços vazios que enfraquecem o osso. A fisiopatologia da osteoporose é complexa, no entanto, o conhecimento de fatos importantes relativos ao metabolismo ósseo indica os fatores celulares, fisiológicos e metabólicos como básicos na sua dinâmica.
Várias modificações importantes são observadas na osteoporose, sendo o mais significativo o aumento da reabsorção óssea, que possivelmente é a causa da redução da massa esquelética. Embora não sejam totalmente esclarecidos os mecanismos celulares envolvidos nas modificações da remodelação óssea induzida pelo déficit estrogênico, esta associação é consensual.
É importante estabelecermos a diferença entre a osteopenia que cursa em função da idade, comum aos dois sexos, e a osteoporose que resulta do déficit estrogênico. A primeira é insidiosa, enquanto a segunda resulta de significativa aceleração da perda óssea que ocorre logo nos primeiros anos da pós-menopausa. Recentes estudos apontam para a presença de receptores estrogênicos no osso, localizados nos osteoblastos e osteoclastos.
Na fisiopatologia da osteoporose pós-menopáusica estão implicados os estrogênios e as substâncias responsáveis pela homeostase do cálcio, particularmente a calcitonina, a vitamina D e seus metabólitos, o paratormônio e as citocinas.
A osteoporose é classificada em 5 tipos, segundo as causas :
1 – Osteoporose primária ou involucional (tipo I e tipo II)
2 – Osteoporose secundária
3 – Osteoporose juvenil
4 – Osteoporose idiopática
5 – Osteoporose focal Há também uma classificação de osteoporose segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), com relação à BMD ( Densidade Mineral Óssea) e DP (Desvio Padrão):
a – Normal: Até 1,0 abaixo da média para adultos jovens.
b – Osteopenia (osteo=osso//penia=diminuição): Entre - 1,0 e - 2,5 abaixo da média para adultos jovens.
c – Osteoporose (osteo=osso//porose=poroso/ frágil): Menor que - 2,5 abaixo da média para adultos jovens.
CAUSAS
Osteoporose tipo I: ocorre por aumento dos níveis de reabsorção osteoclástica. No processo normal de envelhecimento, os ossos se modificam ao longo da vida, e o organismo está constantemente fazendo e desfazendo ossos (atividade osteoblástica e osteoclástica, respectivamente).
Osteoporose tipo II: é causada por insuficiência de absorção intestinal de cálcio por razões diversas.
Quadro Clínico
Normalmente a osteoporose evolui de modo silencioso, sem manifestações clínicas específicas. Geralmente, o primeiro achado da osteoporose é uma fratura que representa o estágio mais avançado. Sintomas como: dor lombar inespecífica, limitação física, diminuição da estatura, encurvamento do tronco para frente podem aparecer.
FATORES DE RISCO
Existem muitos fatores de risco que podem levar um paciente a desenvolver a osteoporose, mas não quer dizer que se o indivíduo tiver um fator de risco será acometido pela doença, ou que esse fator de risco aumenta a probabilidade de desenvolver a mesma. No entanto, sabe-se que quanto maior for o número de fatores de risco, maior a chance de desenvolvê-la. (SBDENS - Sociedade Brasileira de Densitometria Clinica).
Os fatores de risco que contribuem para desenvolver a doença são:
1) Sexo: O sexo feminino tem 4 vezes mais risco de desenvolver osteopenia e osteoporose do que o sexo masculino;
2) Genética: Pacientes de pele e olhos claros tem maior risco de desenvolver a osteoporose;
3) Hábitos pessoais: Pacientes fumantes e que consomem bebidas alcoólicas, refrigerantes ou café com frequência aumentam o risco de desenvolver a doença;
4) Idade: Mulheres em fase de menopausa e perimenopausa; e homens e mulheres acima dos 65 anos de idade tem maior risco de desenvolver osteoporose;
5) Doenças associadas: hiperparatireoidismo, que aumenta a produção de hormônio da glândula paratireóide, irá resultar em aumento do nível de cálcio;
6) No sangue por retirada de cálcio dos ossos; hipotireoidismo, hipertireoidismo (tratada com a administração de hormônio); diabetes, doenças renais, doenças hepáticas crônicas e do sistema digestório (má absorção de cálcio);
7) Medicamentos que interferem no metabolismo ósseo:
• corticóides, tais como: Diprospan, Meticortem, Prednisona, Solucortef entre outros;
• antiácidos à base de alumínio, tais como : Maalox, Mylanta e outros;
• diuréticos utilizados no controle de pressão ou em fórmula de emagrecimento (Lasix, Moduretic, Higroton e outros.);
• pílulas anticoncepcionais por período de 20 a 30 anos;
• anticoagulantes tais como: Heparina, Warfarin;
8) Antecedentes de osteopenia e/ou osteoporose em familiares (pais, avós);
9) Pacientes sedentários, ou seja, sem atividade física;
10) Alterações na dieta podem aumentar o risco de osteoporose e, portanto, devem ser cuidadosamente analisadas para o tratamento e prevenção da perda de massa óssea;
• Desnutrição ou pouca ingestão de alimentos ricos em cálcio (como leites e derivados) e vitamina D na fase de formação óssea e na fase adulta;
• Alta ingestão de fósforo, de café, sal, açúcar, aumentam a diurese e a perda de cálcio na urina.
Tratamento
Com relação ao tratamento, este deve ser iniciado após o diagnóstico da doença e de suas causas, sempre sob orientação médica.
Os tratamentos podem ser divididos em três grupos:
A. Com uso de produtos que diminuem a velocidade de reabsorção ou a perda óssea: calcitonina, bifosfonatos e anabolizantes;
B. Com uso de produtos que aumentam a formação óssea: flúor, calcitriol, hormônio da glândula tireóide e o hormônio de crescimento;
C. Com uso de produtos que ajudam a fixação óssea: o boro, cálcio, chá verde, cobre, fósforo, iodo, magnésio, manganês, vitamina A, B-6, C, D, K e zinco.
Diagnóstico
A Densitometria Óssea é o exame que possibilita abordamos o problema da forma mais precoce.