A densitometria óssea (DXA ou DEXA) é o padrão-ouro para a avaliação da densidade mineral óssea (DMO), sendo essencial para o diagnóstico precoce da osteoporose, monitoramento de tratamentos e estimativa do risco de fraturas. O exame mede a quantidade de osso mineralizado em regiões específicas, geralmente a coluna lombar e o fêmur proximal.
Aspectos Técnicos
Método: Utiliza absorciometria de raios-X de dupla energia (DXA). É um exame rápido, indolor e com baixíssima exposição à radiação, sendo considerado seguro.
Locais de Medição: As áreas padrão são a coluna lombar (foco em vértebras L1 a L4) e o fêmur proximal (colo femoral, trocânter ou fêmur total). Em casos de hiperparatireoidismo ou obesidade extrema, pode-se incluir o rádio 33% (antebraço).
Posicionamento: O paciente deita-se em supino. Pés virados para dentro (rotação interna) para isolar o colo femoral, e apoio sob os joelhos para alinhar a coluna lombar com a mesa.
Controle de Qualidade: Recomenda-se realizar o acompanhamento no mesmo equipamento e de preferência com o mesmo técnico, pois variações de máquinas (marcas diferentes) podem gerar discrepâncias nos resultados.
Limitações: Presença de próteses, artrose intensa, fraturas vertebrais ou contraste radiológico recente na região a ser examinada podem causar falsos aumentos na densidade óssea.
Interpretação do Laudo (Critérios OMS)
A interpretação baseia-se no T-score, que compara a DMO do paciente com a média de adultos jovens do mesmo sexo.
Normal: T-score entre 0 e -1,0 DP (Desvio Padrão).
Osteopenia (Baixa Massa Óssea): T-score entre -1,0 e -2,5 DP.
Osteoporose: T-score igual ou inferior a -2,5 DP.
Osteoporose Estabelecida/Grave: T-score -2,5 DP associado a uma ou mais fraturas por fragilidade.
Z-score: Compara a densidade com indivíduos da mesma idade, sexo e etnia. É mais usado em crianças, adolescentes ou mulheres na pré-menopausa.
Um Z-score -2,0 pode indicar causas secundárias de perda óssea.
Indicações para o Exame
A densitometria óssea é recomendada para:
- Mulheres 65 anos e homens 70 anos.
- Mulheres na pós-menopausa e homens anos com f- atores de risco.
- Adultos com fraturas por fragilidade.
- Uso crônico de corticoides (> 3 meses).
- Monitoramento de tratamento para osteoporose (geralmente a cada 1-2 anos).
Pontos Importantes no Laudo Comparativo
O laudo deve informar se houve mudança significativa na DMO (g/cm²) entre o exame atual e o anterior, comparando com a Mínima Variação Significativa (MVS) do aparelho.
Fatores técnicos como movimentação do paciente ou posicionamento inadequado devem ser relatados, pois podem invalidar o resultado.
Contraindicação: Gestação (devido à radiação).
A interpretação dos resultados da densitometria duoenergética deve ser realizada em função do pico de massa
óssea ideal, atingido no final do desenvolvimento ósseo e
em função da perda fisiológica de massa óssea associada à
menopausa e ao envelhecimento.
O BMD representa a densidade de área em valores
absolutos (g/cm2), para uma região de interesse. O BMD é o
indicador clínico chave do status esquelético do paciente,
sendo plotado num gráfico de referência, em função da sua
idade.
Assim sendo, os valores de BMD vertebral, femoral e do
esqueleto podem ser comparados com o pico de massa
óssea esperado para indivíduos de 20-40 anos de idade, do
mesmo sexo e raça.
A comparação com essa população jovem é importante,
pois, à medida que o BMD diminui, observa-se um aumento
no risco de fratura, independentemente da idade do
paciente; além disso, o risco de fratura dobra a cada desvio-padrão abaixo da média.
A comparação do BMD vertebral, femoral e do esqueleto
com a população harmonizada, ou seja, do mesmo sexo,
raça, idade e peso do paciente estudado, mostra como a
BMD se apresenta em função do que ele deveria ser no
momento da realização do exame.
A perda fisiológica de massa óssea associada à menopausa
e ao envelhecimento é representada pela área que envolve
a média*1 DP. Essa informação é usada para saber se o
paciente desvia-se dos padrões normais para sua idade,
sexo, peso e raça.