Você sabe o que significa a classificação BI-RADS que aparece no laudo da mamografia? Ela é muito importante na condução do diagnóstico do câncer de mama. A partir do resultado e da interpretação do exame de imagem das mamas, é atribuída uma categoria que vai de 0 a 6, indicando a presença ou ausência de tumores na região. Para te ajudar a entender melhor, preparamos um infográfico.
A mamografia é o exame padrão-ouro de rastreamento para detecção precoce do câncer de mama, utilizando raios-X de baixa dose. A qualidade do exame depende de rigorosos parâmetros técnicos, envolvendo o posicionamento correto, o controle do equipamento e a padronização na leitura dos laudos.
1. Padrão Tecnológico
Mamografia Digital vs. Analógica:
A mamografia digital substituiu os antigos filmes, permitindo maior contraste, melhor visualização de microcalcificações e a possibilidade de ajuste de brilho na tela, o que reduz a necessidade de repetições.
Tomossíntese (Mamografia 3D):
É um grande avanço para a análise de mamas densas. Ela adquire imagens em múltiplos ângulos que são reconstruídas em "cortes", reduzindo a sobreposição de tecidos e aumentando a taxa de detecção de cânceres.
2. Posição e Compressão
Incidências Básicas: As rotinas envolvem a incidência Craniocaudal (CC) e a Médio-Lateral Oblíqua (MLO).
Compressão: Essencial para espessar uniformemente o tecido mamário, separar estruturas sobrepostas, reduzir artefatos de movimento e diminuir a dose de radiação absorvida.
Protudos de tireoide: O uso de protetores de tireoide não é mais recomendado durante a mamografia, pois eles podem interferir no posicionamento e causar artefatos na imagem que exijam a repetição do exame.
3. Diretrizes de Rastreamento (Brasil)
Ministério da Saúde: Recomenda o exame de rastreamento a cada 2 anos para mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos.
Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM): Recomenda a mamografia anual para mulheres a partir dos 40 anos, diretriz também endossada por instituições como a FEMAMA.
4. Considerações para Casos Especiais
Mamas Densas: Em mulheres com tecido fibroglandular denso, a sensibilidade da mamografia convencional pode diminuir. Nestes casos, o médico pode solicitar exames complementares como a ultrassonografia ou a tomossíntese.
Próteses de Silicone: Mulheres com implantes podem e devem fazer o exame. São utilizadas manobras específicas (técnica de Eklund) para deslocar a prótese e expor o tecido mamário para melhor visualização.
5. Preparo e Recomendações
Para minimizar o desconforto e a dor, recomenda-se marcar o exame para logo após o período menstrual, quando as mamas estão menos sensíveis.
É estritamente proibido o uso de desodorantes, talcos, cremes ou loções nas axilas ou mamas no dia do procedimento, pois contêm metais que podem criar sombras e causar artefatos nas imagens, mascarando possíveis lesões.
6. Sistema BI-RADS
Os laudos utilizam o sistema padronizado BI-RADS para categorizar os achados:
0: Inconclusivo (exige exames adicionais).
1 e 2: Achados benignos ou negativos.
3: Provavelmente benigno (acompanhamento de curto prazo).
4 e 5: Suspeita de malignidade (indicação provável de biópsia).
6: Malignidade comprovada.
A excelência deste exame é auditada com base no Programa de Qualidade em Mamografia (PQM) do INCA, que garante a segurança radiológica e a qualidade do diagnóstico.