ANATOMIA RADIOGRÁFICA
DA MAMA MASCULINA
A anatomia radiográfica da mama masculina é caracterizada por estruturas rudimentares e atróficas. Ao contrário da mama feminina, não possui lóbulos ou alvéolos desenvolvidos, sendo composta predominantemente por tecido adiposo, escassa quantidade de tecido fibroglandular retroareolar e pele.
Principais Achados nos Métodos de Imagem
1. Mamografia
Aspecto normal: Observa-se uma transparência adiposa quase total, delimitada posteriormente pelo músculo peitoral. Na região subareolar, pode-se identificar uma fina densidade linear ou triangular correspondente aos ductos rudimentares.
Padrão radiográfico: Comumente avaliado através das incidências Craniocaudal (CC) e Médio-Lateral Oblíqua (MLO), o parênquima apresenta-se como uma área esbranquiçada (densidade) puntiforme ou laminar central, envolvida por uma área escura (translucente/gordurosa).
2. Ultrassonografia (USG)
Tecido subcutâneo e adiposo: Ecogênico (cinza) devido à gordura, permitindo excelente contraste com estruturas mais densas.
Complexo areolopapilar: Visualizado de forma proeminente, com sombra acústica posterior discreta.
Tecido ductal normal: Apresenta-se como pequenas estruturas tubulares hipoecoicas (mais escuras) na região retroareolar.
Alterações Mais Comuns (Patologias)
A alteração radiográfica mais frequente é a ginecomastia, que representa o crescimento benigno do tecido fibroglandular masculino.
Na Mamografia: Apresenta-se como uma massa densa (branca), triangular ou em formato de chama, localizada centralmente sob o mamilo.
Na Ultrassonografia: É caracterizada por uma área hipoecoica (escura), podendo apresentar espículas. Embora radiologicamente possa simular lesões malignas pela sua forma irregular, a sua localização central e simétrica a caracteriza como benigna.
Apesar da simplicidade anatômica, a avaliação radiológica detalhada permite ao médico radiologista descartar outras afecções, como o câncer de mama masculino.
ANATOMIA RADIOGRÁFICA
DA MAMA FEMININA
A anatomia radiográfica da mama feminina é a representação visual dos tecidos mamários por meio de exames de imagem como a mamografia. Ela divide a mama em três componentes principais — pele, tecido adiposo (gordura) e tecido fibroglandular — estruturando-se de forma dinâmica de acordo com a idade e o histórico hormonal da paciente.
Principais Componentes Estruturais na Imagem
Pele e Mamilo: Aparecem como linhas radiopacas (brancas) e finas que contornam o tecido mamário. O mamilo deve ser visualizado de perfil para evitar sombras que simulem nódulos.
Tecido Adiposo: Preenche a maior parte da mama e aparece radiolúcido (escuro e transparente) nos exames, fornecendo o contraste natural necessário para visualizar as estruturas glandulares.
Tecido Fibroglandular: É composto por ductos e lóbulos (responsáveis pela produção e transporte de leite). Na radiografia, apresenta-se radiopaco (branco), o que pode dificultar a visualização de lesões em mamas densas (predominância de tecido glandular).
Ligamentos de Cooper: Estruturas de tecido conjuntivo que sustentam a mama. Aparecem como finas linhas radiopacas curvadas que conectam a fáscia superficial à pele.
Gordura Retromamária: Camada de gordura localizada entre o tecido glandular e a musculatura peitoral. Sua visualização na mamografia é crucial, pois indica que a mama foi adequadamente posicionada e a imagem inclui toda a base do órgão.
Dinâmica das Mamas nos Exames
Mulheres Jovens: Geralmente apresentam mamas mais densas, com maior volume de tecido fibroglandular, tornando a mamografia menos sensível e exigindo, muitas vezes, a complementação com Ultrassonografia de Mama.
Mulheres na Pós-menopausa: Ocorrem alterações fisiológicas onde o tecido glandular é substituído por gordura (processo de substituição adiposa), aumentando a eficácia e clareza da mamografia.
Adendo
Glândulas mamárias
As mamas são encontradas na parede anterior do tórax, anteriormente à fáscia profunda e aos músculos peitorais; separadas deles pelo espaço retromamário. Cada mama consiste em glândulas mamárias cercadas de tecido conectivo.
As glândulas mamárias são glândulas sudoríparas apócrinas modificadas. Elas possuem uma estrutura dinâmica, o que significa que a sua anatomia muda dependendo da idade da mulher, fase do ciclo menstrual e status reprodutivo. As glândulas são ativas na mulher adulta após o parto (período puerperal). Neste período, o hormônio hipofisário conhecido como prolactina estimula a produção de leite pela glândula, enquanto o hormônio hipotalâmico chamado oxitocina estimula a ejeção do leite através do mamilo. Fora do período puerperal as glândulas são menos abundantes, com a maior parte do tecido mamário preenchida por tecido adiposo.
Vamos agora rever a histologia das glândulas mamárias. A glândula é composta por 15 a 20 lobos secretores, que são separados por bandas fibrosas. Estas bandas fibrosas são chamadas de ligamentos suspensores da mama. Os lobos contém numerosos lóbulos, que consistem em glândulas tubuloalveolares. Os ductos secretores dos lobos, chamados de ductos lactíferos, convergem e se abrem no mamilo. Cada ducto lactífero se dilata em um seio lactífero antes de se abrir no mamilo.
A anatomia dos mamilos é ajustada para auxiliar na função da mama. Eles são cercados por uma região circular de pele pigmentada, chamada de aréola, que se torna ainda mais pigmentada e proeminente durante a puberdade. A aréola demonstra pequenas elevações pontuais em sua superfície, que são produzidas pelas muitas glândulas areolares. Estas são em sua maioria glândulas sudoríparas e sebáceas, bem como glândulas mamárias modificadas, chamadas de glândulas de Montgomery. Elas produzem uma secreção antimicrobiana que protege a superfície da aréola.
Drenagem linfática da mama
A drenagem linfática da mama é muito importante, especialmente do ponto de vista da patologia. Isto se deve ao fato de que os carcinomas mamários tendem a se espalhar viajando através dos vasos linfáticos, criando depósitos metastáticos em partes do corpo distantes.
Os linfonodos dos lóbulos mamários, mamilo e aréola drenam para o plexo linfático subareolar. Dali, cerca de 75% da linfa (principalmente dos quadrantes laterais da mama) drena para os linfonodos peitorais, e em seguida para os linfonodos axilares. O restante drena para os linfonodos paraesternais. É por isso que os linfonodos axilares são os primeiros a serem removidos cirurgicamente em algumas fases do câncer de mama. Os linfonodos axilares drenam para os troncos linfáticos subclávios, que também drenam os membros superiores. Os linfonodos paraesternais drenam para os troncos broncomediastinais, que também drenam os órgãos torácicos.
Além dos linfonodos axilares e paraesternais, alguma drenagem da mama pode ocorrer através dos linfonodos intercostais, que estão localizados ao redor das cabeças e colos das costelas. Os linfonodos intercostais drenam para o ducto torácico ou para os troncos linfáticos broncomediastinais.
Vascularização da mama
A vascularização da mama vem de três fontes:
- Ramos da artéria axilar suprem a parte lateral da mama. Estas são as artérias torácica superior, toracoacromial, torácica lateral e subescapular.
- Ramos da artéria torácica interna, suprem a parte medial da mama, junto com as artérias mamárias mediais.
- Ramos perfurantes da segunda, terceira e quarta artérias intercostais contribuem com a vascularização de todo o seio.
As veias da mama seguem as artérias mencionadas anteriormente. Elas drenam para as veias axilar, torácica interna e segunda a quarta veias intercostais.
Os ramos cutâneos anterior e lateral do segundo ao sexto nervos intercostais são responsáveis pela inervação da mama. Observa-se que o mamilo é inervado pelo quarto nervo intercostal.